O que é o Sistema Braille e sua importância para a educação inclusiva

fingers and braille. blind people read a book in braille.

Criado no século XIX, pelo francês Louis Braille, o Sistema Braille é um marco no aprendizado de pessoas cegas. Braille, que perdeu a visão aos três anos após um acidente na oficina do pai dele, criou o método baseado em um sistema de comunicação noturno usado pelo exército francês.

O código Braille é composto por 63 sinais, resultados de uma combinação de pontos dispostos em uma célula de três linhas e duas colunas cada uma. A leitura é feita de forma tátil, com as pontas dos dedos, após o aluno memorizar o que representa cada sinal.

Um dos princípios da metodologia braille é que os pontos em alto-relevo sigam medidas padrões e as células com os grupos de pontos respeitem ao limite de percepção da ponta dos dedos. Dessa forma, facilitando o aprendizado e o uso da técnica.

Chegada do Sistema Braille no Brasil

No Brasil, o Sistema Braille foi trazido e adaptado por José Álvares de Azevedo, que aprendeu a técnica quando era criança e dissemino-a pelo país com apoio do Imperial Instituto de Meninos Cegos, hoje conhecido como Instituto Benjamin Constant (IBC).

É graças a esse método que os indivíduos cegos ou com algum tipo de dificuldade visual consegue realizar a leitura e escrita de textos. Consequentemente, permitindo a inclusão social desse grupo de pessoas e maior participação deles nos processos de aprendizado.

De acordo com dados do último censo a população do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 6,5 milhões de brasileiros são portadores de deficiência visual. Desses, 582 mil são cegos e 6 milhões apresentam baixa visão.

Importância do Sistema Braille na educação

Uma vez que o Sistema Braille permite que as pessoas com deficiência visual possam escrever e ler, essa competência assegura a elas o acesso à informação, por meio da comunicação escrita em todas as partes do mundo.

Outra característica dessa ferramenta é que ela permite a inclusão educacional de crianças, jovens e adultos. Permitindo, inclusive, maior independência dos alunos e, consequentemente, autonomia sobre os próprios processos de conhecimento e desenvolvimento social, uma vez que a comunicação é fundamental para a vivência em sociedade.

Apesar de o sistema trazer inúmeros benefícios no processo de aprendizado das pessoas com deficiência visual, ainda há um bom caminho a se percorrer para que esses indivíduos desfrutem da comunicação plena. Um desses desafios seria ter mais acesso a materiais traduzidos para a linguagem visual.

Segundo informações da União Mundial de Cegos, que representa, apenas 5% das obras literárias no mundo são transcritas para a linguagem em braille. No Brasil, estima-se que essa porcentagem seja em torno de 1%, considerando que essa quantidade seja predominantemente de livros didáticos.