GRAVIDEZ E AMAMENTAÇÃO EM TEMPOS DE COVID-19

A gravidez é um momento especial, tanto do ponto de vista físico quanto emocional. Mas, para as gestantes que enfrentam o surto da doença do novo coronavírus (Covid-19), o medo, a ansiedade e a incerteza podem ser ainda maiores.

Para conseguir manter a tranquilidade e a segurança, vejamos o que a ciência já sabe sobre tudo isso.

  1. GRAVIDEZ

As alterações fisiológicas pelas quais as mulheres passam nessa fase podem alterar sua imunidade, o que as torna mais vulneráveis a infecções respiratórias, como a covid-19. No entanto, o risco de morte é similar entre grávidas e não grávidas.

Grávidas com doenças pré-existentes ou desenvolvidas durante a gravidez, como diabetes e hipertensão, têm risco ainda mais aumentado de desenvolver quadro grave de covid-19.

Não há, até o momento, comprovação de que a mãe infectada pelo novo coronavírus possa transmiti-lo ao feto durante a gestação.

Mulheres grávidas e pessoas que moram com elas devem limitar as interações sociais com outras pessoas o máximo possível e, caso precisem sair ou interagir com outras pessoas, seguir as seguintes recomendações:

  • Usar máscara. Lembre que a máscara não substitui outras medidas de higiene necessárias, como lavar as mãos e evitar contato próximo com outras pessoas.
  • Evitar o contato com pessoas que não estejam usando máscaras ou pedir para que elas coloquem a máscara quando estiverem próximas de você;
  • Manter ao menos 2 metros de distância das pessoas que não moram com você;
  • Lavar as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos ou utilizar álcool gel com no mínimo 60% de álcool;
  • Evite situações em que não seja possível seguir as medidas de prevenção, como uso de máscara e distanciamento físico;
  • Não deixe de comparecer às consultas de pré-natal. Se tiver receio de se contaminar, converse com o médico e peça orientação;
  • Tome as vacinas e eventuais suplementos recomendados. A vacina contra a gripe é muito importante, visto que a gripe pode causar sintomas semelhantes aos da covid-19 e não se sabe como as duas viroses, causadas por vírus diferentes, podem interagir;
  • Se tiver qualquer emergência, não deixe de procurar ajuda médica por medo de contrair o vírus. Serviços de saúde estão tomando as devidas precauções para evitar o contágio em suas dependências e algumas emergências podem ser especialmente graves durante a gravidez.
  • Caso apresente sintomas de síndrome gripal ou covid-19 ou ainda note qualquer alteração na sua saúde, procure seu médico ou o serviço de saúde;
  • Evite o transporte público, se possível.
  1. PARTO E CUIDADOS NO HOSPITAL

Várias maternidades e hospitais brasileiros elaboraram protocolos clínicos para assegurar que a mãe ou o recém-nascido não sejam infectados. A recomendação é não marcar cesariana ou induzir o parto, para que o binômio permaneça menos tempo internado. As indicações para cesariana devem ser analisadas caso a caso.

Para a opção mais segura, é importante falar com o médico que a acompanha, manter uma relação de confiança. Sugere-se que se façam as seguintes perguntas antes do parto:

  • Corro o risco de me infectar com coronavírus neste espaço? Alguém mais esteve aqui com Covid-19?
  • Como são separadas as pessoas com Covid-19 das pessoas sem?
  • Há roupas de proteção suficientes para os profissionais de saúde?
  • Posso levar alguém comigo? Se não, por que não?
  • Posso ficar com meu bebê comigo? Se não, por que não?
  • Posso amamentar meu bebê? Se não, por que não?
  • Posso ter parto normal ou você faz cesariana? Se sim, por que isso?

2.1 – Mães que não tiveram sintomas de Covid-19 nem contato domiciliar com pessoas com síndrome gripal ou Covid-19 nos últimos 14 dias

Segundo orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), essas mulheres não devem seguir nenhuma restrição na hora do parto. Elas podem, inclusive, manter contato pele a pele com o bebê logo após o nascimento e amamentar na primeira hora de vida do recém-nascido.

2.2 – Mães que tiveram sintomas de síndrome gripal ou Covid-19 ou tiveram diagnóstico confirmado de Covid-19 ou ainda mantiveram contato domiciliar com pessoas que apresentaram sintomas de síndrome gripal ou Covid-19 nos últimos 14 dias

Essas devem adiar a amamentação para o momento em que os cuidados com a higiene e as medidas de prevenção da contaminação do recém-nascido, como limpeza da parturiente e troca de máscara, de camisola e lençóis, tiverem sido adotadas.

Além disso, mãe e filho podem manter alojamento conjunto, se houver condições de manter distância de 2 metros entre o berço e o leito materno. A mãe deve usar máscara durante o contato com o recém-nascido, precedido de higiene das mãos antes e depois de tocar o bebê.

A SBP afirma, ainda, que não há evidências de que o vírus possa ser transmitido pelo leite materno.

Ainda não se sabe se recém-nascidos que testaram positivo para Covid-19 logo após o nascimento contraíram a virose antes, durante ou após o parto, mas os bebês que contraem o Sars-CoV-2 costumam evoluir bem.

2.3 – Algum membro da família pode estar por perto quando eu der à luz?

Embora as políticas variem de país para país, a presença do acompanhante deve ser permitida (Lei Federal nº 11.108, de 6 de fevereiro de 2020), aqui no Brasil, desde que a pessoa tenha de 18 a 59 anos, não tenha doenças crônicas, não apresente sintomas ou tenha tido contato recente com pessoa infectada ou não coabite com pessoas com suspeita ou diagnóstico de Covid-19.

  1. AMAMENTAÇÃO E CUIDADOS COM O RECÉM-NASCIDO EM CASA

Após a alta hospitalar, a amamentação deve ser mantida normalmente, seguindo os cuidados indicados no próximo item, caso a mãe e os cuidadores tenham sintomas de síndrome gripal ou de Covid-19. Os benefícios da amamentação superam os riscos, independentemente da mãe ser assintomática ou da suspeita ou confirmação do diagnóstico da doença.

Também é importante seguir o Calendário Nacional de Vacinação completo para a idade, que, juntamente com a amamentação são os principais fatores pela queda da mortalidade infantil, de acordo com a SBP.

Lembre que a maioria dos recém-nascidos que contraem o Sars-CoV-2, é assintomática ou desenvolve sintomas leves de Covid-19 e se recuperam muito bem.

A melhor coisa que se pode fazer neste momento é simplificar: ficar apenas com a família e não permitir visitas em casa. Verificar também se os outros filhos (se os tiver) não estão em contato com outras crianças. Toda a família deve sempre lavar as mãos com água e sabão e se cuidar bem.

Embora seja um momento difícil, recomenda-se tentar ver o lado positivo de ter esse tempo para se relacionar com a família.

Mais do que nunca, o apoio e a participação do cônjuge são essenciais para que a mulher se sinta segura neste período. Os pais precisam assumir seus papéis na criação dos filhos por meio da licença-paternidade, férias e participação nas atividades domésticas, nos cuidados com o bebê e com a mãe.

  1. CUIDADOS DE HIGIENE EM CASO DE MÃE COM SUSPEITA OU CONFIRMAÇÃO DE COVID-19

Segundo a SBP e o CDC, a mãe com suspeita ou diagnóstico confirmado de Covid-19 que desejar manter a amamentação deve:

  • Ficar em quarto isolado dos demais moradores da casa que não estiverem doentes;
  • Lavar as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos antes e depois de tocar o bebê;
  • Usar máscara facial de pano que cubra completamente nariz e boca, antes e depois de tocar o bebê;
  • Trocar a máscara imediatamente em caso de tosse ou espirro ou a cada nova mamada;
  • Evitar que o bebê toque o rosto da mãe, especialmente boca, nariz, olhos e cabelos;
  • Pedir, se possível, para que outra pessoa que não tenha sintomas de Covid-19 realize os cuidados com o bebê (banho, sono) após a mamada. Se isso não for possível, a mãe deve tomar muito cuidado com a higiene das mãos e ficar de máscara sempre que estiver no mesmo ambiente que o bebê.

Caso a mãe não se sinta confortável ou não deseje amamentar e opte por extrair o leite para que ele seja oferecido ao bebê por outra pessoa, é importante:

  • Seguir rigorosamente as recomendações para limpeza das bombas de extração de leite após cada uso;
  • Considerar a possibilidade de solicitar a ajuda de alguém que esteja saudável para oferecer o leite materno em copinho, xícara ou colher ao bebê;
  • Não utilizar, se possível, bicos, mamadeiras ou chucas;
  • Que a pessoa que vá oferecer o leite ao bebê aprenda a fazer isso com a ajuda de um profissional de saúde.

Atenção: Bebês menores de 2 anos de idade não devem usar nenhuma barreira física para impedir o contágio pelo Sars-CoV-2, como máscaras ou protetores faciais (faceshield), pois esses equipamentos aumentam o risco de morte súbita e de sufocamento.

  1. PERÍODO DE ISOLAMENTO NECESSÁRIO PARA MÃES COM SUSPEITA OU CONFIRMAÇÃO DE COVID-19

Segundo o CDC, a mãe que tem sintomas de síndrome gripal ou Covid-19 deve manter o isolamento, saindo do local apenas para amamentar e caso não haja outra pessoa que possa ajudá-la nos demais cuidados com o recém-nascido.

Ela pode considerar que não corre mais risco de transmitir o vírus:

  • Após 10 dias a partir do surgimento dos sintomas;
  • Após 24 horas sem apresentar febre sem o uso de medicamentos para reduzir a temperatura;
  • Após apresentar melhora dos demais sintomas.

Se apresentar teste positivo e estiver assintomática, a mãe pode considerar que não há mais risco de disseminar o vírus após 10 dias depois da data em que o teste para Covid-19 positivo foi realizado.

  1. DOAÇÃO DE LEITE

A doação de leite é contraindicada para mulheres com sintomas compatíveis com síndrome gripal, infecções respiratórias ou confirmação de infecção pelo Sars-CoV-2.

Mulheres que tiveram contato domiciliar com pessoas com síndrome gripal ou suspeita/confirmação de Covid-19 nos últimos 14 dias também não devem doar leite.

Fontes: https://drauziovarella.uol.com.br/coronavirus/gravidez-e-amamentacao-em-tempos-de-covid-19/  e https://www.unicef.org/brazil/gravidez-durante-pandemia-da-covid-19.

Atenção! Alguns desses exames não são realizados pela CEDIP. Confira quais exames a Cedip realiza clicando aqui.